Renan Marra | São Paulo | 08/09/2018 02h00 | Folha

Em tempos de redes sociais e globalização, em que a tecnologia favorece a comunicação a distância, presidentes e diretores de médias e grandes empresas não deixam de alimentar seu networking em encontros presenciais.

Integrar um clube desses não é para qualquer um. Geralmente, o executivo tem de ser convidado ou indicado por alguém que já faz parte do grupo. Antes disso, costuma ser aprovado em espécie de banca julgadora. Outros clubes não exigem indicação, mas fazem filtragem levando em consideração o faturamento médio anual da empresa onde o profissional trabalha.

Os participantes dos clubes são os chamados tomadores de decisões empresariais: líderes e pessoas com cargos altos nas suas empresas.

Ao serem aprovados, os executivos preenchem longos questionários, que servem para mapear as demandas das empresas. Não raro respondem também questões sobre gostos pessoais, como hobbies, músicas, livros preferidos e até o time de futebol.

A partir daí, a área de inteligência divide as empresas em segmentos de acordo com porte, ramo em que atua e localização física, e identifica quais são as afinidades e possibilidades de negócios com outros participantes. Algumas vezes usam softwares que mostram as combinações.

"É uma espécie de Tinder [aplicativo de paqueras] corporativo", diz o presidente do Grupo Zazcomm, Rodolfo Zagallo, que tem entre seus principais clientes empresários da construção civil.

Para participar do clube da Zazcomm, as empresas têm de pagar de R$ 38 mil a R$ 300 mil por ano. Quanto mais uma empresa paga, mais exposição e assistência terá, com estratégias sugeridas por economistas e marqueteiros. Também terá direito a mais reuniões com executivos das empresas de seus interesses.

Os clubes organizam encontros periódicos entre os empresários. Na maior parte das vezes, além da troca de cartões, eles participam de dinâmicas que visam a ampliação da capacitação do profissional, com palestras de temas diversos, de cultura a política.

Em agosto, no World Trade Center São Paulo, no Brooklin Novo (zona oeste), executivos de várias empresas ouviram palestras e debateram a reforma trabalhista. Mesas pequenas, com no máximo cinco lugares, estimulavam os empresários a serem ativos.

Os encontros não são classificados apenas como reuniões de trabalho pesado. É comum os clubes oferecerem também ambientes para o surgimento de ideias a partir de um estado de relaxamento ou de descontração inexistentes nas salas tradicionais de reuniões.

Os empresários trocam ideias degustando vinhos ou charutos, ou em oficinas com chefs da gastronomia renomados. Às vezes um bom negócio surge a partir de uma dança ou da prática de esportes.

Alguns clubes convidam os executivos a passarem um fim de semana juntos em hotel com piscina, churrasqueira, quadras de tênis e golfe. Há eventos que têm também a presença de celebridades. O objetivo é quebrar o gelo entre os participantes.

No caso da Consulting House, a empresa reitera que, mesmo nesses fins de semana, a diversão não é a prioridade, mas, sim, palestras e oficinas de negócios. Há, entretanto, ao menos uma hora reservada para a prática de esportes.

"Nesse momento você conhece o ser humano que está ali. Independentemente de fazer negócio ou não, você passa a ter um relacionamento", diz o diretor-executivo do Grupo Coimex, Orlando Machado.

Donos de empresas especializadas em grupos de relacionamento não garantem negócios imediatos, mas dizem que em pouco tempo os associados podem ter benefícios com a capacitação e troca de experiências. Os resultados costumam ser mais rápidos para empresas que dependem do boca a boca.

Segundo o diretor-executivo da empresa de gerenciamento de riscos AON, Marcelo Munerato, o clube de relacionamento o ajuda a apresentar as propostas de sua empresa a possíveis investidores sem a intermediação de um funcionário, agilizando as negociações. Ele afirma que o retorno para seu negócio foi o dobro do valor investido, sem, entretanto, revelar os números.

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